In Literatura Poemas

Doces Crianças

Eu caminho pelas ruas escuras, descalço com minha garrafa de uísque 
Tomando muito cuidado para não pisar em cacos de vidros
Almas perdidas vem até mim 
Para conseguir um pouco de álcool
Eu posso sentir suas mãos geladas tocarem as minhas
E ao sentir essas mãos geladas e pálidas me tocarem
Eu começo a pensar que um dia serei igual á elas 
Procurando, um abrigo, um pouco de álcool, ou apenas vagando por ai
Com toda sua palidez, com toda sua dor, com toda sua frieza
E sempre haverá mais e mais deles...
Sendo guiada pelo som das vozes agonizantes ao meu redor
Pensamentos sufocados pela dor
É muita pressão para uma pessoa só
Eu não vejo a hora de me tornar como eles
E apenas vagar por ai...
Sabe, também há crianças por aqui o que torna tudo um pouco mais infantil
Será que elas irão crescer?
Será que elas poderão me salvar?
Será que elas virão me buscar em breve?
Filhotes de animais mortos por toda parte
É isso que nós plantamos, certo?
Há dor nos olhos dos animais como eu nunca vira antes
E nós devemos nos orgulhar disso?
Um ar gélido, meu velho casaco surrado já não é capaz de me esquentar
E eu já sinto a morte olhando para mim
Com seus olhos negros olhando fixamente para meu coração
É está noite que eu irei me juntar á eles,
Essa noite eu me tornarei o ser frio, pálido e vazio como eles
Procurando, um abrigo, um pouco de álcool, ou apenas vagando por ai...
Uma dor tão intensa que não há como descrever
Corta meu corpo em dois, para apenas pegar meu coração
E de repente uma luz intensa cega meus olhos
E quando me dou conta eu sou um deles...
E as crianças, sim as crianças
Elas fazem minha alma mergulhar em amor

~Caroline Malaquias De Lima

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